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Apostas online: como as bets afetaram a saúde e as finanças dos brasileiros

O recente bloqueio das apostas online no Brasil trouxe à tona os impactos negativos das chamadas bets na vida de milhares de brasileiros. Relatos como o de Kaio*, de 42 anos, mostram como o vício em jogos pode levar à perda de bens, emprego e até ao afastamento da família, devido ao endividamento.

As apostas online começaram a operar de forma praticamente sem regras a partir de 2018, sendo regulamentadas apenas em dezembro de 2023. Mesmo com a regulamentação, as plataformas continuaram a permitir o acesso de usuários com sinais de compulsão, descumprindo as normas que exigiam bloqueio desses perfis.

Segundo especialistas, pessoas em situação de vulnerabilidade foram as mais afetadas, muitas vezes atraídas por publicidade enganosa que prometia ganhos fáceis. Dados do Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz) apontam que, só em 2025, as famílias brasileiras perderam R$ 62,5 bilhões em apostas, com movimentações que chegaram a quase R$ 351 bilhões via Pix.

O problema também atinge jovens: uma pesquisa revelou que 20,4% dos estudantes do ensino fundamental e médio já apostaram online, sendo que muitos começaram a jogar por volta dos 11 anos de idade. Especialistas alertam que adolescentes são mais vulneráveis ao vício, pois o cérebro ainda está em desenvolvimento e o controle dos impulsos não está totalmente formado.

Além das perdas financeiras, o vício em apostas online tem causado problemas de saúde mental, como ansiedade, depressão e até pensamentos suicidas. Profissionais de saúde recomendam que familiares fiquem atentos a sinais de isolamento e mudanças de comportamento, buscando apoio em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e outros serviços especializados.

Com a proibição das bets, o Ministério da Saúde anunciou novas ações para identificar e oferecer tratamento a pessoas afetadas pelo vício em jogos. O objetivo é ampliar o atendimento e reduzir os danos causados pelo acesso irrestrito às plataformas de apostas online.

*Nomes fictícios foram utilizados para preservar a identidade dos entrevistados.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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