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Teste revela falhas do Facebook no combate à desinformação eleitoral, aponta ONG

Um levantamento da Anistia Internacional Brasil identificou deficiências no sistema do Facebook para filtrar anúncios com desinformação eleitoral. O estudo, divulgado nesta terça-feira (25), ocorre a 40 dias do primeiro turno das eleições gerais de 2026.

Durante o teste, a ONG submeteu 15 anúncios pagos à plataforma, todos em português e direcionados a eleitores brasileiros com 16 anos ou mais. Desses, 14 continham informações falsas sobre o processo eleitoral, enquanto apenas um era considerado neutro.

Segundo a Anistia Internacional, mais da metade dos anúncios com desinformação foi aprovada para veiculação pelo Facebook, que pertence à Meta. Os conteúdos, no entanto, não chegaram a ser publicados, pois a ONG programou as datas de exibição para o futuro e cancelou antes da veiculação.

Os anúncios testados abordavam temas como deslegitimação do sistema eleitoral, ataques a adversários políticos e defesa de soluções autoritárias para questões de segurança. Em um dos exemplos, foi sugerido que uma intervenção militar ocorreria caso menos de 50% da população votasse, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O relatório aponta que oito dos 15 anúncios foram aprovados pelo sistema do Facebook. Já os sete rejeitados, incluindo o anúncio neutro, foram barrados por questões burocráticas, como a necessidade de verificação de identidade, e não pelo conteúdo em si.

Para a diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, o resultado do teste demonstra que a plataforma não está suficientemente preparada para impedir a circulação de desinformação, o que pode comprometer a integridade das eleições.

Além disso, os anúncios foram enviados de Londres, sem uso de VPN, levantando preocupações sobre a possibilidade de interferência estrangeira em campanhas eleitorais brasileiras.

Em resposta, a Meta afirmou que o estudo utilizou uma amostra pequena de anúncios que não chegaram a ser publicados e destacou que investe em mecanismos de análise e transparência para proteger o processo eleitoral.

A legislação eleitoral brasileira, conforme determinações do TSE, exige que plataformas digitais adotem medidas para reduzir a circulação de informações falsas que possam prejudicar o processo eleitoral. Segundo as normas, conteúdos que descredibilizem o sistema de votação devem ser retirados do ar, mesmo sem ordem judicial.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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