O professor Fábio César Alves da Cunha, do Laboratório de Análises Territoriais Ville-Campagne (LATEC) da Universidade Estadual de Londrina, utiliza a Abordagem Socioambiental para estudar o desenvolvimento urbano de Londrina nas décadas de 1930 a 1950. Essa metodologia, aplicada durante seu pós-doutorado na Universidade Federal do Paraná, permite analisar a cidade além da dicotomia entre geografia física e humana, considerando aspectos naturais como relevo, cursos d’água e vegetação.
O foco da pesquisa é compreender o cenário do norte do Paraná antes da chegada dos ingleses, que foram incentivados pelo governo federal a explorar e comercializar terras na região. Na época, a Inglaterra ainda mantinha seu império colonial, o que influenciou a forma como o território foi ocupado e colonizado.
Fontes históricas indicam que a narrativa tradicional sobre a fundação e o crescimento de Londrina, divulgada pela Companhia de Terras Norte do Paraná (CTNP) e outros autores, omite aspectos importantes como a violência, a exclusão social e a presença de populações pré-existentes. A tese de Nelson Dacio Tomazi, intitulada “Norte do Paraná: História e Fantasmagorias”, destaca que o discurso dominante do século XX enfatizava progresso, civilização e colonização racional, mascarando essas realidades.
O desenvolvimento urbano na região foi influenciado pelas características geográficas e pela infraestrutura implantada pelos ingleses, que possuíam experiência em colonização. Eles utilizaram divisores de bacias hidrográficas para estabelecer ferrovias e estradas, controlando o crescimento por meio de concessões fiscais, direito de desapropriação e restrições industriais.
Além disso, a propaganda da época promovia Londrina e arredores como um “Eldorado” agrícola, destacando a fertilidade do solo e a ausência de pragas, apesar dos desafios climáticos como as geadas. A missão Montagu, liderada por Lord Lovat, contribuiu para essa imagem positiva.
O estudo também aponta divergências em relatos históricos, como a data da chegada da primeira caravana, que varia entre 21 e 22 de agosto de 1929, evidenciando diferenças na memória coletiva e nos registros oficiais.
A partir da década de 1960, as preocupações ambientais começaram a ganhar espaço, contrastando com a visão anterior que celebrava o desmatamento como símbolo de progresso. A pesquisa do professor Fábio destaca que a expansão urbana ocorreu sobre uma natureza pré-existente que foi significativamente alterada para acomodar a cidade.
Atualmente, o professor Cunha continua suas investigações, tendo publicado artigo que relaciona a criação da CTNP aos interesses do governo brasileiro em obter empréstimos da banca inglesa Rothschild & Co. A próxima fase do estudo abordará a consolidação do crescimento urbano nas três primeiras décadas da cidade, considerando transformações econômicas, sociais e ambientais posteriores.
Fonte: operobal.uel.br









