O aumento da presença de partidos conservadores no Congresso Nacional e nos governos estaduais, observado nas eleições de 2026, reflete uma resposta do eleitorado a temas ligados ao cotidiano, como segurança pública, custo de vida, valores e família. Essa é a análise do economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), Jeferson Ramos dos Santos.
Segundo o especialista, as campanhas regionais priorizaram essas pautas, que se consolidaram nas regiões onde senadores, deputados e governadores foram eleitos. Para Jeferson, a escolha dos eleitores demonstra insatisfação com a abordagem do governo federal sobre esses assuntos.
Em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF), o professor avalia que, apesar das recentes crises envolvendo a Corte, o tema teve pouco peso direto nas urnas. No entanto, ele acredita que, com a nova configuração conservadora do Senado, discussões sobre mudanças institucionais no STF, como a limitação de mandatos de ministros, devem ganhar espaço nos próximos anos.
No âmbito trabalhista, a proposta de fim da escala 6×1 está em pauta no Senado. Jeferson aponta que, com o novo perfil do Congresso, o ritmo das votações e o teor das propostas podem ser alterados, havendo possibilidade de postergação de decisões até que o cenário político esteja mais definido.
Sobre a disputa presidencial, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP) disputarão o segundo turno, com a menor diferença de votos já registrada em um primeiro turno. O professor destaca o cenário competitivo e a alta abstenção, indicando que a decisão final segue aberta até o pleito de 25 de outubro.
Jeferson Ramos dos Santos ressalta que o resultado da eleição presidencial poderá influenciar a agenda legislativa a partir de 2027. Caso o Congresso mantenha uma maioria conservadora, temas ligados a valores e segurança pública devem ganhar mais destaque, enquanto pautas trabalhistas podem perder espaço.
O horário eleitoral do segundo turno será retomado em 9 de outubro, com campanhas permitidas até 23 de outubro para presidência e governos estaduais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









