A Universidade Estadual de Londrina (UEL) ganhou destaque internacional com a participação do professor Pietro Chimenti, do Departamento de Física, em um artigo publicado na revista Nature. O trabalho apresenta os primeiros resultados do observatório subterrâneo JUNO (Jiangmen Underground Neutrino Observatory), na China, e foi capa da edição.
O estudo, realizado por uma equipe de mais de 700 pesquisadores de vários países, investigou as propriedades dos neutrinos, partículas fundamentais que atravessam a matéria quase sem interagir. Essas partículas são geradas em processos como reações nucleares em usinas, explosões de supernovas e no núcleo do Sol.
Os neutrinos, chamados de “mensageiros do universo”, são importantes para entender a evolução e a formação das estruturas cósmicas. O experimento JUNO busca desvendar a ordem das massas dos três tipos de neutrinos, um dos grandes desafios atuais da física de partículas.
O detector do JUNO, localizado a 700 metros de profundidade, utiliza 20 mil toneladas de cintilador líquido para captar sinais das partículas. O projeto, que custou mais de US$ 500 milhões, representa uma das maiores colaborações científicas do mundo na área.
Além de avanços em física fundamental, o desenvolvimento do JUNO trouxe inovações tecnológicas, como a produção de cintilador líquido de baixo custo, já aplicado em monitoramento ambiental e na detecção de radiação em usinas nucleares.
O professor Chimenti destaca a importância do trabalho coletivo e multidisciplinar na ciência, ressaltando que o processo científico envolve revisão rigorosa por pares e construção baseada em conhecimento acumulado.
A UEL também leva o raciocínio científico à comunidade por meio do Clube de Leitura da Física, que discute artigos de ponta em linguagem acessível para estudantes e o público em geral, promovendo o pensamento crítico e científico.
Fonte: operobal.uel.br










