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Especialistas apontam risco de interferência cibernética dos EUA e bigtechs nas eleições brasileiras

Analistas em relações internacionais e tecnologia têm alertado para o risco de ações cibernéticas dos Estados Unidos e de grandes empresas de tecnologia com o objetivo de influenciar as eleições gerais de outubro no Brasil.

O governo norte-americano, sob a liderança de Donald Trump, já adotou medidas como aumento de tarifas e restrições de visto para autoridades brasileiras, o que, segundo especialistas, pode indicar a possibilidade de novas ações, especialmente no campo digital.

O pesquisador Reynaldo Aragon, do Núcleo de Estudos Estratégicos em Comunicação, Cognição e Computação, destacou que um memorando recente assinado por Trump autoriza o uso de bigtechs em operações de vigilância e efeitos cibernéticos. Isso inclui possíveis ações de espionagem e ataques a sistemas de informação, com potencial para manipular ou prejudicar candidatos.

O documento prevê parcerias entre o governo dos EUA e empresas privadas para acessar sistemas de informação sem autorização, podendo afetar redes de telecomunicações, internet e infraestrutura digital. Aragon defende que o Brasil invista em sua própria infraestrutura digital para garantir maior segurança.

Segundo os especialistas, essas ações podem ser realizadas de forma oculta, dificultando a identificação da autoria. O impulsionamento de perfis em redes sociais é citado como uma das estratégias já em curso, mas o risco é considerado estrutural e sistêmico.

Em julho, o governo brasileiro negou visto a dois funcionários do Departamento de Estado dos EUA, sob suspeita de que eles pretendiam questionar o sistema eleitoral brasileiro.

O professor de história e especialista em geopolítica, Euclides Vasconcelos, acredita que novas tentativas de interferência podem ocorrer, inclusive para tentar desacreditar o sistema eleitoral. Ele ressalta que as bigtechs têm capacidade de influenciar diretamente segmentos da população, atuando como extensões dos interesses de governos.

Vasconcelos também lembrou que executivos de grandes empresas de tecnologia foram nomeados para cargos no Exército dos EUA, indicando uma aproximação entre essas companhias e o governo norte-americano.

Essas ações fazem parte de uma nova doutrina de segurança divulgada pelos EUA, que busca reforçar a influência do país sobre a América Latina. O Brasil, por sua posição estratégica, é visto como peça-chave nesse contexto.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

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