Durante a Copa do Mundo de 2026, um torcedor congolês chamou a atenção ao incorporar Patrice Lumumba, ex-primeiro-ministro do Congo e símbolo da luta anticolonial africana. Michel Nkuka Mboladinga, ao adotar a pose da estátua de Lumumba em Kinshasa, levou aos estádios da América do Norte uma mensagem de resistência e memória histórica.
Mboladinga apresentou sua performance durante a partida entre República Democrática do Congo e Colômbia, em Guadalajara, México. Antes, ele tentou acompanhar a estreia de seu país nos Estados Unidos, mas foi impedido de entrar devido às restrições provocadas pelo surto de ebola no Congo. Agora, ele retorna a Kinshasa, onde acompanhará o próximo jogo da seleção congolesa, conhecida como Leopardos, contra o Uzbequistão.
Segundo especialistas, a performance de Mboladinga vai além do futebol, trazendo à tona debates sobre o passado colonial e a importância da autodeterminação dos povos africanos. A professora Maria do Carmo Rebouças, da Universidade Federal do Sul da Bahia, destaca que o gesto do torcedor representa o continente africano e provoca reflexão sobre a soberania política e econômica.
O professor Felipe Paiva, da Universidade Federal Fluminense, lembra que outros líderes africanos, como Thomas Sankara e Amílcar Cabral, também foram símbolos da luta anticolonial, mas tiveram destinos trágicos semelhantes ao de Lumumba.
Durante o jogo, Mboladinga fez um gesto simbólico, colocando um dedo na têmpora e a mão sobre a boca, em referência ao silêncio internacional diante dos conflitos e exploração de recursos naturais no Congo. O ato tem sido repetido por atletas da diáspora africana, como forma de chamar atenção para a crise humanitária no país.
Patrice Lumumba foi o primeiro líder eleito do Congo após a independência da Bélgica, em 1960. Defensor do pan-africanismo, ele defendia que as riquezas do país fossem revertidas para a população local. Após seu assassinato, o Congo mergulhou em décadas de conflitos e exploração, situação que persiste até hoje.
Especialistas apontam que a Bélgica, antiga potência colonial, tem responsabilidade histórica e poderia liderar esforços internacionais pela paz e desenvolvimento no Congo. Países como Brasil e Estados Unidos, que receberam grandes comunidades da diáspora africana, também são chamados a contribuir para soluções no continente africano.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br










