Um levantamento do centro de pesquisa Justa revelou que, em 2025, os estados brasileiros destinaram mais de 5 mil vezes o valor para as polícias do que para políticas exclusivas voltadas a pessoas que deixam o sistema prisional.
De acordo com a pesquisa, para cada R$ 5.423 investidos em polícias, apenas R$ 1 foi direcionado a políticas para egressos, enquanto R$ 1.169 foram aplicados no sistema prisional. O estudo analisou os orçamentos de 26 estados, com exceção do Acre, que não forneceu dados.
Na comparação com o ano anterior, a desigualdade aumentou. Em 2024, a proporção era de R$ 4.877 para as polícias, R$ 1.221 para o sistema penitenciário e R$ 1 para egressos. O relatório destaca que a maior parte dos recursos permanece concentrada na entrada do sistema de justiça criminal, com pouca verba destinada à reintegração social.
Segundo Taciana Santos, coordenadora de pesquisas do Justa, o aumento do orçamento policial não necessariamente resulta em mais segurança para a população. Ela aponta que esse crescimento está associado ao fortalecimento de grupos políticos que priorizam o endurecimento penal.
Em 2025, os gastos estaduais com polícias chegaram a R$ 103,5 bilhões, sendo R$ 60,7 bilhões para as Polícias Militares, R$ 22,2 bilhões para as Polícias Civis e R$ 2,8 bilhões para as Polícias Técnico-Científicas. O restante, R$ 17,8 bilhões, foi destinado a despesas compartilhadas entre as corporações.
O relatório indica que o policiamento ostensivo tem recebido prioridade, enquanto as áreas de investigação e inteligência ficam com menor parcela dos recursos. Para Luciana Zaffalon, diretora-executiva do Justa, essa lógica contribui para o encarceramento em massa e dificulta a apuração efetiva dos crimes.
Os gastos com o sistema prisional somaram R$ 22,3 bilhões em 2025, sendo R$ 13,7 bilhões relacionados ao encarceramento de pessoas negras, o que representa cerca de 60% do total. A pesquisa aponta que, apesar dos valores estáveis, os aumentos têm sido aplicados na ampliação da estrutura carcerária, enquanto despesas com alimentação e saúde dos presos têm sofrido cortes.
Para políticas exclusivas de apoio a egressos, os estados investiram apenas R$ 19 milhões em 2025, valor semelhante ao do ano anterior. Essas ações são consideradas fundamentais para facilitar o acesso a documentação, moradia, saúde, educação e trabalho, reduzindo as chances de reincidência.
Dos 26 estados analisados, apenas sete investiram em políticas para egressos em 2025. São Paulo lidera os investimentos, com R$ 13,3 milhões, seguido pelo Ceará (R$ 3,8 milhões). Outros estados, como Mato Grosso, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Sul e Santa Catarina, também destinaram recursos, ainda que em valores menores.
A pesquisa conclui que a baixa destinação de recursos para a reinserção social limita as oportunidades de quem deixa o sistema prisional e pode contribuir para a reincidência criminal.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br










