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PF investiga Flávio Bolsonaro por suspeita de lavagem de dinheiro

Inquérito encaminhado ao Supremo Tribunal Federal apura possíveis irregularidades financeiras envolvendo o candidato à Presidência e o advogado Willer Tomaz. Alexandre de Moraes foi sorteado relator do caso.

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é alvo de uma nova investigação da Polícia Federal (PF) por suspeita de lavagem de dinheiro. O inquérito foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e envolve a relação do parlamentar com o advogado Willer Tomaz de Sousa, apontado como seu amigo pessoal.

As informações foram divulgadas neste domingo (18 de outubro de 2026) por veículos da imprensa nacional, incluindo O Globo, Folha de S.Paulo e Estadão.

O procedimento chegou ao STF há pelo menos uma semana e foi distribuído por sorteio ao ministro Alexandre de Moraes, responsável pela relatoria.

A investigação ocorre na reta final das eleições presidenciais de 2026, uma semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro enfrentará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Como começou a investigação da Polícia Federal?

A nova apuração teve origem em investigações conduzidas pela Polícia Federal sobre possíveis operações de lavagem de dinheiro envolvendo plataformas de apostas esportivas e empresas de pagamentos digitais.

Durante a análise de documentos e dados financeiros relacionados ao advogado Willer Tomaz, os investigadores identificaram informações que indicariam vínculos financeiros entre ele e Flávio Bolsonaro.

Como o senador possui foro por prerrogativa de função, os elementos envolvendo seu nome foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal.

Entre os pontos que chamaram a atenção da PF estão registros de viagens internacionais, pagamentos realizados por empresas ligadas ao advogado e referências ao nome de Flávio Bolsonaro em documentos bancários.

O objetivo da investigação é esclarecer a natureza dessas relações e verificar se houve alguma irregularidade na movimentação de recursos.

Conta bancária e viagens internacionais estão entre os pontos analisados

Um dos elementos identificados pelos investigadores envolve uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holding, ligada a Willer Tomaz.

De acordo com as informações divulgadas pela imprensa, documentos obtidos pela Polícia Federal mencionam Flávio Bolsonaro como “usuário master” da conta.

Esse registro levantou questionamentos sobre a possibilidade de o senador ter acesso operacional à conta empresarial.

Outro ponto examinado envolve viagens realizadas pelo parlamentar à Europa em 2025. Segundo os documentos mencionados nas reportagens, despesas com deslocamentos internacionais teriam sido pagas por uma empresa relacionada ao advogado.

A Polícia Federal também identificou registros de encontros, festas e reuniões envolvendo os dois.

Essas informações integram o material analisado pelos investigadores, mas não constituem, isoladamente, comprovação de lavagem de dinheiro ou de participação do senador em atividades criminosas.

Movimentações financeiras envolvendo advogado também são investigadas

O advogado Willer Tomaz também é investigado por operações financeiras relacionadas ao setor de apostas online.

Reportagem publicada pelo UOL neste domingo aponta que a Polícia Federal analisa aproximadamente R$ 1,4 bilhão em transações envolvendo o advogado e a plataforma de apostas Blaze.

Os investigadores procuram esclarecer a origem e o destino dos valores, além da possibilidade de operações sucessivas terem sido utilizadas para dificultar o rastreamento do dinheiro.

A apuração considera movimentações entre contas pessoais, empresas e plataformas de apostas.

É importante esclarecer que o valor de R$ 1,4 bilhão se refere às transações examinadas na investigação envolvendo Willer Tomaz e a plataforma. Não significa que esse montante tenha sido movimentado pessoalmente por Flávio Bolsonaro nem que tenha sido comprovadamente lavado.

Alexandre de Moraes será responsável pelo caso no STF

O novo procedimento foi distribuído ao ministro Alexandre de Moraes, que ficará responsável pela condução judicial da investigação no Supremo Tribunal Federal.

O encaminhamento ao STF ocorreu após os investigadores identificarem elementos relacionados a Flávio Bolsonaro, que exerce mandato de senador.

A atuação do Supremo permite que as diligências envolvendo autoridades com foro sejam submetidas à supervisão judicial competente.

A existência do inquérito não representa uma condenação, nem significa que as suspeitas levantadas pela Polícia Federal tenham sido comprovadas.

Flávio Bolsonaro também é investigado em outro caso

Além da apuração envolvendo Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro aparece em outra investigação no Supremo Tribunal Federal.

Esse procedimento examina possíveis irregularidades relacionadas à obtenção de recursos para a produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A apuração envolve recursos associados ao empresário e banqueiro Daniel Vorcaro e possíveis operações financeiras ligadas ao financiamento do projeto audiovisual.

O caso está sob relatoria do ministro André Mendonça.

Na sexta-feira (16), foi noticiado que a Polícia Federal solicitou mais 90 dias para aprofundar as investigações relacionadas ao financiamento do filme.

Os dois procedimentos possuem objetos diferentes e devem ser analisados separadamente.

O que dizem Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz?

Flávio Bolsonaro já afirmou, em manifestações anteriores sobre sua relação com Willer Tomaz, que os dois mantêm uma amizade e negou compartilhar uma conta bancária com o advogado.

A campanha do candidato também contestou a informação de que ele já estivesse formalmente na condição de investigado, argumentando que seria necessária uma manifestação da Procuradoria-Geral da República.

Segundo reportagem do SBT News, a PGR deu aval à abertura da investigação. O veículo também confirmou que a relatoria ficou com Alexandre de Moraes.

O advogado Willer Tomaz nega envolvimento em lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras.

Em declarações divulgadas pelo UOL, ele também contestou as informações sobre movimentações bilionárias envolvendo a Blaze e afirmou que sua relação com a plataforma era exclusivamente como cliente.

Até a publicação das reportagens consultadas neste domingo, não havia sido divulgada uma nova manifestação específica da defesa de Flávio Bolsonaro sobre todos os pontos do inquérito.

Investigação é divulgada na reta final das eleições de 2026

A divulgação do novo inquérito ocorre em um momento de intensa movimentação política no país.

Neste domingo (18), Flávio Bolsonaro participou de uma manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, ao lado de apoiadores e lideranças políticas, entre elas o governador Tarcísio de Freitas e o deputado federal Nikolas Ferreira.

O candidato também tinha participação prevista no debate presidencial da Band, às 20h, diante do presidente Lula.

A investigação da Polícia Federal passa a integrar o noticiário político a poucos dias da votação, mas ainda depende de novas diligências e esclarecimentos sobre os fatos apresentados.

Até o momento, as informações disponíveis apontam para suspeitas sob investigação, sem comprovação de responsabilidade criminal de Flávio Bolsonaro no novo caso.

A continuidade da apuração deverá esclarecer a natureza dos vínculos financeiros identificados e se existem elementos que justifiquem eventuais medidas judiciais.

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