Pular para o conteúdo
Últimas Ver últimas

Projeto da UEL investiga impactos da inteligência artificial na segurança digital

Projeto da UEL avalia como a inteligência artificial pode proteger ou ameaçar a segurança digital e propõe soluções para uso seguro da tecnologia.

Editorias
DestaquesRegião
Compartilhe

A inteligência artificial (IA) está no centro de discussões sobre segurança digital, podendo atuar tanto como ferramenta de proteção quanto de risco, dependendo de sua aplicação. Na Universidade Estadual de Londrina (UEL), o projeto “Cibersegurança e Privacidade no Aprendizado de Máquina”, liderado pelo professor Bruno Bogaz Zarpelão, busca analisar como a IA pode ser utilizada para fortalecer a cibersegurança e, ao mesmo tempo, identificar possíveis ameaças relacionadas ao uso inadequado dessa tecnologia.

Apesar de ser tema recorrente atualmente, a IA é estudada desde a década de 1950. O interesse pelo assunto cresceu com avanços tecnológicos, como a vitória do supercomputador Deep Blue sobre o enxadrista Garry Kasparov nos anos 1990. Com o aumento do uso da internet e a popularização de chatbots, a IA passou a integrar o cotidiano, trazendo benefícios e desafios para a proteção de dados pessoais.

O professor Bruno destaca que a IA pode ser empregada em crimes digitais, aproveitando situações comuns, como o fornecimento de dados em farmácias ou o uso intenso de smartphones, que armazenam informações sensíveis dos usuários. A falta de transparência das grandes empresas de tecnologia sobre o tratamento desses dados é uma preocupação adicional.

Outro ponto levantado é o risco de compartilhar informações pessoais em conversas com chatbots de IA generativa, como o ChatGPT. Dados como documentos, informações financeiras e médicas podem ser expostos inadvertidamente.

No Brasil, a combinação de alta digitalização e baixo conhecimento em informática aumenta a vulnerabilidade dos usuários. Apesar da existência de legislação sobre crimes cibernéticos, a estrutura de fiscalização e punição ainda é limitada.

O projeto da UEL também investiga soluções para tornar o uso da IA mais seguro, como o aprendizado federado, que permite treinar modelos de IA sem transferir dados sensíveis dos usuários para servidores centrais. Assim, busca-se proteger a privacidade enquanto se aproveita o potencial da tecnologia.

Apesar dos avanços, o professor Bruno ressalta que a intuição humana ainda é fundamental para identificar ameaças que a IA pode não detectar, especialmente em ataques que exigem respostas rápidas. Ele conclui que alcançar uma segurança digital completa é improvável, já que tanto defensores quanto atacantes utilizam a IA em uma constante disputa tecnológica.

O projeto conta com a participação de estudantes de graduação e pós-graduação, além de parcerias com instituições nacionais e internacionais, como a Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Universidade de Trieste (Itália) e Universidade de Londres (Inglaterra).

Fonte: operobal.uel.br