Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser) em parceria com a Quaest Pesquisa e Consultoria revelou que a maioria dos evangélicos no Brasil é contrária ao uso de igrejas como espaço para campanhas eleitorais e à indicação de candidatos por líderes religiosos. O levantamento, feito com 15 mil pessoas em 412 municípios, aponta que 83% dos entrevistados rejeitam que pastores e padres orientem o voto, 82% não concordam com discussões políticas durante cultos e missas, e 90% são contra campanhas eleitorais dentro dos templos.
O pastor Lucas Oliveira, de Nova Iguaçu (RJ), destaca que o voto deve ser uma escolha individual, não ligada à religião. Ele relata que o envolvimento político nas igrejas causou divisões e afastamento de fiéis, levando muitos líderes a evitarem o tema atualmente. Já o pastor Moisés Blanco, de Natal (RN), ressalta que a separação entre igreja e Estado faz parte da tradição protestante e que há um movimento crescente entre evangélicos para manter a neutralidade política nos templos.
A pesquisa mostra ainda que o segmento evangélico é diverso, representando 29% da população brasileira, com predominância de pentecostais (70%). A Assembleia de Deus é a maior denominação, seguida por outras igrejas de médio e pequeno porte. O catolicismo, por sua vez, representa 50% da população, com 31% de praticantes.
Apesar da rejeição à politização dos templos, a influência religiosa na política ocorre por meio da formação de valores e identidades, especialmente nas redes sociais e aplicativos como o WhatsApp, que são usados por 66% dos entrevistados para articulação de grupos religiosos. Entre evangélicos, a informação política circula mais pelo WhatsApp, enquanto católicos preferem a televisão.
O estudo também revela que, embora temas morais como diversidade sexual e ensino religioso sejam influenciados pela fé, há grande concordância entre diferentes grupos religiosos em políticas públicas como vacinação e apoio a programas sociais. Entre os evangélicos, 79% apoiam a educação sexual nas escolas e 80% são favoráveis ao uso de métodos contraceptivos.
Recentemente, discussões envolvendo símbolos religiosos, como o título de Nossa Senhora Aparecida, também mostraram como o debate religioso pode ganhar destaque fora dos templos, chegando à Justiça Eleitoral e ao Supremo Tribunal Federal.
Em resumo, a pesquisa indica que, embora a religião influencie valores, a maioria dos evangélicos e católicos prefere manter a decisão do voto fora do ambiente religioso, reforçando a importância da escolha individual e da separação entre fé e política.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









