O mês de combate à violência contra a mulher trouxe à tona um aumento significativo nos casos de agressões políticas de gênero no Brasil. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelam que os processos relacionados a esse tipo de violência saltaram de 15, em 2022, para 177 em 2026, um aumento de 11 vezes.
O Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro, marca um momento de reflexão sobre o tema. A data foi criada em homenagem à mobilização de mulheres em 1980, que protestaram contra o crescimento dos crimes de gênero.
Durante o período eleitoral de 2026, levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global identificou 134 casos de violência política até o primeiro turno, sendo que 70 dessas ocorrências tiveram mulheres como vítimas. Entre as candidatas, 60 foram alvo de agressões, o que representa 58,8% dos casos, apesar de as mulheres serem apenas um terço das candidaturas.
O Disque 180, canal de denúncias do governo federal, registrou 1.564 denúncias de violência política contra mulheres entre janeiro e agosto de 2026. Mais da metade dessas denúncias (53%) partiram de mulheres pretas e pardas, enquanto 37,7% foram de mulheres brancas.
Casos recentes, como o da deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), ilustram a gravidade do cenário. Ela relatou ameaças de morte e violência sexual durante a campanha, além de exposição de dados pessoais. Em resposta, o partido reforçou sua segurança.
O Ministério das Mulheres destaca que a violência política faz parte de um contexto mais amplo de misoginia e desigualdade estrutural, afetando a participação feminina nos espaços de poder.
Outros casos emblemáticos, como o assassinato da vereadora Marielle Franco em 2018 e episódios de assédio e ameaças contra parlamentares, mostram que a violência política contra mulheres é recorrente e demanda atenção das autoridades.
Para denúncias, as vítimas podem recorrer à Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), Ouvidorias do Ministério Público e do Conselho Nacional de Justiça, Polícia Federal, Defensorias Públicas e, em casos de emergência, à Polícia Militar pelo 190.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br









