No Rio de Janeiro, cerca de 2,1 milhões de eleitores vivem em favelas, segundo o Censo de 2022 do IBGE. Essas regiões ainda enfrentam desafios como falta de urbanização, saneamento básico e acesso limitado a serviços públicos, refletindo desigualdades históricas.
Moradores dessas comunidades apontam a educação como prioridade para as próximas eleições. Além disso, reivindicam melhorias em mobilidade, cultura, lazer, saúde e participação social. A segurança, embora importante, é vista como consequência da ausência de políticas públicas efetivas nessas áreas.
Letícia Vitória Guimarães, jovem do Complexo do Alemão, destaca a necessidade de candidatos comprometidos com direitos humanos e abertos ao diálogo. Ela também ressalta a dificuldade de acesso à cidade, já que a falta de transporte público adequado limita oportunidades de lazer e emprego.
Isabelle Rodrigues Trindade, jornalista da Rocinha, enfatiza a demanda por empregos e melhores condições de trabalho, especialmente para jovens que enfrentam longos deslocamentos. Ela defende o fim da escala 6×1 e mais oportunidades de qualificação profissional.
João*, morador da zona norte, reforça a importância de cursos técnicos e projetos esportivos, além de creches inclusivas para crianças com deficiência. Ele aponta a necessidade de políticas voltadas para a educação e inclusão social.
Sara Sant’anna, estudante da Uerj, cobra a criação de centros culturais e polos de ensino superior na zona oeste. Ela destaca a limitação de cursos públicos na região e a distância de faculdades como um obstáculo para muitos jovens.
O enfrentamento ao racismo também está entre as demandas, já que a maioria dos moradores de favelas é negra. Projetos sociais buscam conscientizar sobre o impacto do racismo na saúde e nas oportunidades dessas comunidades.
A segurança pública é tema recorrente, mas moradores criticam abordagens baseadas apenas em policiamento e repressão. Eles defendem políticas integradas de educação, esporte e cultura como formas mais eficazes de combater a criminalidade.
Especialistas apontam que cada favela tem suas especificidades e que políticas públicas devem considerar essa diversidade. A participação de lideranças locais e o fortalecimento do diálogo com o Legislativo são vistos como caminhos para avanços concretos.
*Nome fictício para preservar a identidade do entrevistado.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br










