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Imagem de: Fábio Iwakura

Marketing

O que as empresas podem aprender com o fracasso da seleção brasileira

postado em 22/07/2014 15:38:13

Uma copa do mundo que não nos vai deixar saudades. Uma seleção que mereceu a confiança de muitos e decepcionou a todos. Muita badalação e poucos resultados. Foi o que vimos.

Mas o ditado diz que da tragédia, muita coisa aprendemos. Então vamos lá. Vamos tentar transpor o insucesso do nosso futebol brasileiro ao mundo dos negócios. É possível às organizações tirar alguma lição do episódio que envolveu a nossa seleção nesta copa? Acredito que sim. Neste artigo, listei sete lições que as empresas podem aprender com o fracasso da seleção brasileira.

 

1 . Não dependa de talentos individuais. Ficou nítido, nas últimas duas partidas da nossa seleção, a falta que o jogador Neymar faz ao time. Coincidência ou não, o ataque brasileiro não funcionou e as derrotas aconteceram. O camisa 10 era a referência da equipe e sem ele, o meio de campo e o ataque sucumbiram. Uma empresa não pode depender de apenas um profissional talentoso para o seu sucesso. Nem tampouco centralizar decisões ou competências a um, ou poucos talentos. Os gestores precisam entender que a empresa é um organismo vivo, e que na ausência de um profissional, a vida da companhia deve continuar, e no mesmo ritmo. Falamos constantemente em equipe. Formar e gerenciar uma equipe envolve compartilhar responsabilidades e poderes. Na ausência de um profissional, alguém deverá substituí-lo e não deixar o rendimento cair. 

 

2 . O líder deve reconhecer seus erros. Um dos motivos que geraram críticas ao treinador Felipão foi a sua incapacidade de reconhecer seus erros. Seja na escalação da equipe, definição tática ou impotência diante da crise. O comandante brasileiro se mostrou, durante toda a competição, irredutível e por vezes, prepotente. Incapaz de enxergar falhas, fraquezas e limitações de sua equipe e de seu próprio trabalho. O primeiro passo para a busca de melhorias é o reconhecimento dos erros. O gestor de uma empresa necessita desenvolver uma visão autocrítica elevada, capaz de fazê-lo reconhecer um erro tão logo seja cometido. E a essa visão seja somada a capacidade de reação, uma vez que de nada adianta identificar o erro e não ser capaz de corrigi-lo. Imagine você coordenando um projeto de milhares de reais e só perceber falhas ao final do processo? Tarde demais, não? A seleção insistiu no erro (que na visão do Felipão não existiu) e pagou um preço caro demais por isso. 

 

3 . Apenas motivação não basta. Felipão é famoso por sua capacidade de motivar seus comandados e não, propriamente, por sua habilidade tática. Isso ficou muito claro nesta copa do mundo. Saber motivar seus colaboradores é uma habilidade indispensável ao líder. Mas só isso não basta. De pouco adianta funcionários motivados, com a “faca nos dentes” e “sangue nos olhos” se lhes faltam o conhecimento técnico e estratégias do que e como fazer. Faltou a seleção um padrão tático; sobrou apenas vontade. E vontade não ganha jogo. As estratégias da sua empresa estão bem definidas? Os objetivos estão bem claros? Elas são de conhecimento de todos? Existe um plano B caso surja uma situação emergencial?

 

4 . Ausência de liderança em momentos difíceis. Dizem que é no momento de crise que os verdadeiros liderem surgem. Mas não foi o que aconteceu com a nossa seleção durante o “apagão” contra a Alemanha. Ficou claro, naquele momento, que cada um queria resolver a situação do seu jeito, frente a ausência de um líder que coordenasse as ações em campo. O zagueiro David Luiz se lançando ao ataque e deixando a defesa desguarnecida é um bom exemplo. Todas as empresas precisam preparar um líder capaz de chamar a responsabilidade para si quando a situação assim exigir. Um profissional que tenha condições de agregar forças, de coordenar a equipe, de envolver pessoas e de delegar responsabilidades. Momentos de crise exigem sangue frio, proatividade, coragem e um trabalho muito bem coordenado. Todos devem remar na mesma direção, sob a batuta de um líder.

 

5 . Visão de longo alcance. Na ausência de um planejamento de longo prazo, a CBF apostou todas as suas fichas em Felipão. Um técnico de resultados; eficaz em alguns momentos, ineficiente na maioria das vezes. A seleção teve quatro anos para se preparar para esta copa, mas não o fez. Dispensou Dunga após a copa de 2010, contratou Mano Menezes que foi demitido dois anos depois. Com pouco tempo para se preparar, a seleção lançou mão de um treinador especialista em mata-matas. Dois anos se mostrou muito pouco tempo para uma preparação. A seleção alemã, por outro lado, desenvolveu um projeto de longo prazo e o resultado veio. Buscar resultados apenas no curto prazo pode se mostrar muito perigoso para as empresas. As organizações não foram projetadas para extinguirem-se em poucos anos. Ao desenvolver seu planejamento estratégico, faz-se necessário traçar metas de curto, médio e longo prazo.  Apostar todas as suas fichas em resultados imediatos comprometerá o rendimento da empresa futuramente. Muitas oportunidades serão desperdiçadas e muitas ameaças surgirão de forma perigosa. A miopia poderá ser fatal para as empresas imediatistas.

 

6 . Investir em capacitação. Estamos acostumados a ouvir: “treino é treino, e jogo é jogo”. Não concordo muito com isso. Mas uma coisa é certa: não se ganha jogo sem treinos. E não se conquista títulos apenas com conversas. Alguns atletas da atual seleção, inclusive, se queixaram da falta de treinos durante a copa. Como esperar um alto rendimento de atletas sem treinamentos? E no mundo corporativo, como exigir resultados dos seus profissionais, se não lhes é dado a capacitação e o preparo necessário? As empresas necessitam municiar os seus funcionários com informação, insumos, técnicas, metodologias, conhecimentos e todos os demais recursos que lhes permitam o eficaz desempenho de suas funções. Não será no momento da batalha que o soldado aprenderá a guerrear.

 

7 . Se prender ao passado. A seleção brasileira valorizou demais as conquistas passadas e negligenciou o presente. Acreditou-se que a conquista da Copa das Confederações era a prova suficiente de que o trabalho do técnico Felipão estava no caminho certo. Além do mais, somos pentacampeões mundiais e o país do futebol. Nada disso garantiu o título e nem ao menos a terceira colocação neste mundial. Nenhuma organização pode viver das conquistas do passado. Quantas empresas seculares sucumbiram por se prenderem excessivamente às suas conquistas passadas e negligenciarem a situação presente de seu negócio? Valorizar a história é muito importante, mas não suficiente. O mercado é dinâmico, você sabe disso. O comportamento do consumidor muda rapidamente. Produtos são lançados a uma velocidades impressionante. E como tal, tornam-se obsoletos. A atenção das  organizações deve se voltar cada vez mais para o seu pára-brisas e cada vez menos para o seu retrovisor.

 

 * Sou consultor empresarial, palestrante, sócio da Elos Conexão Empresarial e docente de cursos de graduação e pós-graduação. Contato: (43) 8404-0482 / fabio@iwakura.com.br

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