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Imagem de: Fábio Iwakura

Marketing

Errado estão os outros

postado em 17/07/2013 13:30:34

Dias atrás, em um supermercado, entrei em uma fila de caixa rápido para pagar as minhas compras. A placa fixada na parte superior do caixa deixava tudo bem claro: "caixa rápido: até 10 volumes".

Assim que entrei na fila, olhei para o cliente que estava em minha frente e percebi que ele, ao contrário dos demais clientes, não estava com uma cesta de compras, mas sim com um carrinho. Curioso, comecei a observar com mais detalhes o volume de suas compras. Sem precisar contar, estava claro que a quantidade de produtos naquele carrinho excedia o volume permitido para o caixa rápido.

Enquanto a funcionária do caixa registrava as compras de um outro cliente, ela olhava o carrinho do cliente que estava a minha frente. Esperei que ela o alertasse sobre o excesso de compras, indicando um caixa "normal". Não foi o que aconteceu. Chegada a vez dele, curioso e indignado, comecei a contar a quantidade de mercadorias que estava de posse do "folgado": vinte produtos. Somente o dobro do volume permitido para o caixa rápido.

Infelizmente não é a primeira vez que testemunhei uma atitude como essa, e certamente não será a última. Não me refiro somente a esse caso específico de uma fila de supermercado. Está longe (muito longe) o dia em que o brasileiro vai deixar de querer levar vantagem em tudo. Burlar regulamentos, furar filas, não devolver um troco errado, mentir em uma entrevista de emprego, enganar um cliente, subornar alguém para obter vantagens. Tudo isso faz parte do cotidiano do brasileiro, parecendo até ser algo normal e muito corriqueiro. É o já institucionalizado "jeitinho brasileiro". Crime? Talvez não. Antiético? Certamente.

Utilizei esse exemplo real para ilustrar o nosso comportamento frente à todo esse levante de indignação que toma conta do nosso país. Será que esse cliente do supermercado não faz parte de uma legião de brasileiros que foi às ruas exigir "vergonha na cara" dos nossos políticos? Será que ele também não se indigna com a corrupção e o comportamento antiético das autoridades brasileiras? Por que será que somos tão perspicazes em identificar os erros de terceiros, mas incapazes de perceber as nossas "perebas"? A corrupção, o antiético, a injustiça e a má-fé fazem parte do nosso dia-a-dia. Está mais perto da gente do que pensamos e podemos perceber. Falta-nos apenas espelhos para nos enxergar.

Fábio Iwakura é consultor empresarial, docente dos cursos de graduação e pós-graduação e sócio-diretor da Elos Empresarial. Contato: fabio@elosempresarial.com.br / (43) 8404-0482

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