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Carlos Harfuch

Política e Economia

Sábia Decisão

postado em 27/06/2015 11:03:44

Estudantes da Universidade Estadual de Londrina – UEL invadem a Reitoria.    

Sabiamente, administração superior da UEL, em princípio, pretende o diálogo com os mesmos ao invés de investir em medidas judiciais cabíveis.

É nosso parecer, porém, que não se deve de forma nenhuma tolerar o que se descreve no texto de Lenio Luiz Streck, constante no link http://www.conjur.com.br/2015-jun-04/senso-incomum-mandaram-magnifico-reitor-calar-elese-calou gentilmente enviado a nós por uma nossa prestimosa colega de trabalho, que muito admiramos.

Que fique clara aqui nossa posição de observador neutro dos movimentos sociais que se apresentam neste Estado do Paraná e no País, neutralidade essa que a qualquer momento pode tornar-se profundamente posicionada, desde que o produto da observação demonstre claramente onde os fatos se revelem mais equilibrados e justos.

De qualquer forma, quando, no Estado do Paraná, se vê que representantes da justiça, surpreendentemente, têm liberado sistematicamente de justa custódia, pessoas suspeitas de cometerem crimes contra o patrimônio público, e ao mesmo tempo julgam ilegais greves dos professores e servidores da rede pública estadual e também das universidades públicas, por questões salariais e de custeio, algo assim nos deixa perplexos por razões que escapam à nossa compreensão, pois tudo isso tem demonstrado estar além da nossa capacidade intelectual de justo entendimento.

Quando se vê que nesse mesmo judiciário salário e outros proventos têm perfil nababesco, e que, além disso, se goza de inúmeras outras vantagens, dentre elas até do inquietante auxílio moradia, algo está mesmo muito além dos que pretendem acreditar no justo Estado de Direito e sua ação reguladora, que garante esse mesmo Estado Institucional de Direito a todo o cidadão deste país.

Tremei até o mais profundo de suas consciências vós que sois hoje os agentes do Estado que trabalham no judiciário e o representam como uma das instituições de poder constitucional deste país, no Estado do Paraná, pois a ação da justiça os alcançará e da mesma forma que julgam julgados também serão! Seja aqui, seja acolá!

Podem e julgam inúmeras questões humanas, mas não se dão conta que são incapazes até de curar um simples corte em seus frágeis corpos geralmente atacados por cânceres inclementes ainda nesta mesma vida.

Pobres seres que nada sabem de si mesmos e da vida que os rodeia e domina.

Não é diferente na Assembleia Legislativa do Estado do Paraná, outra instituição constitucional de poder, que se dá o direito de aumentar seus salários e dos que ali prestam serviços a título de agentes públicos do legislativo, aumentos esses financiados pelo fundo previdenciário de nome PARANAPREVIDÊNCIA.

O alerta a esses é ainda mais contundente, pois de 4 em 4 anos muitos dos deputados que ocupam cadeira no legislativo do Paraná precisam se prostituir novamente para que lá se mantenham, por isso mesmo suas doenças além de morais são físicas também, tanto quanto.

O mais interessante é que tanto o judiciário quanto o legislativo do Paraná, que assaltam o fundo previdenciário de nome PARANAPREVIDÊNCIA, possuem seus fundos de aposentadoria, mas que, de alguma forma, não se toca, pois a aposentadoria de todos eles é, incompreensivelmente para nós, “sagrada”!

Quando o governo do Paraná pretende, com seus cúmplices dos outros poderes, desconstruir a Educação Pública da Rede Estadual de Ensino Médio e Superior do Estado do Paraná, alguém precisa, de forma sábia, inteligente, precisa e cirúrgica, dar um basta em tudo isso.      

Chega-se ao ponto de entender claramente que não é mais o salário dos Agentes do ESTADO da Educação e Saúde que está em questão, mas a desconstrução sistemática, pelas elites dominantes, da saúde e educação financiadas pelo Estado, direito esse garantido pela Constituição Brasileira e, portanto, inalienável de todo o cidadão brasileiro.

Tudo isso deixou a muito de ser uma questão doutrinária ou ideológica, mas da própria sobrevivência do Estado de Direito Constitucional, no que toca ao saudável fortalecimento dessas mesmas instituições, que fortalecem e garantem a própria democracia brasileira.

E se, por tudo isso, a UEL precisa dos seus alunos para demonstrar até onde tem ido o descalabro institucional no Paraná, que saiba ao menos orientá-los de forma consciente, justa e clara, de como devem agir dentro do Estado de Direito Constitucional, pois, quer queira quer não, são eles os herdeiros e construtores do que vem por aí.

Senão, mesmo que de forma ingrata - e temos certeza a administração superior da UEL também, precisaremos nos posicionar da forma conforme se posicionou Lenio Luiz Streck em seu artigo, constante do link acima citado.

 Carlos Harfuch – 2015 Inverno 

- Carlos Harfuch é idealizador do projeto "Política com Ética",  confira seu trabalho em www.politicacometica.com.br.

 

 

 

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