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Carlos Harfuch

Política e Economia

Doutores da Lei

postado em 15/07/2015 08:55:24

Hoje, exatamente 226 anos da queda da bastilha, me deparo com o artigo “O dogma da preguiça”, de Paul Krugman, traduzido por Maria Paula Autran, que pode ser lido na integra no link http://www.endividado.com.br/noticia_ler-42217,.html .

No pano de fundo do artigo, Krugman analisa a disputa eleitoral presidencial estadunidense que se avizinha entre democratas e republicanos para a presidência daquele país, deixando claro que a elite republicana não quer de forma nenhuma pagar mais imposto, defendendo que muitos estadunidenses preferem ficar sem trabalhar, recebendo benefícios do governo a ter que trabalhar mais. A defesa dos republicanos se baseia no dogma de que se esses trabalhadores trabalhassem mais engrossariam suas rendas, melhorando assim o PIB nacional. 

É bem coisa de campanha eleitoral mesmo, mas é dessa forma que os republicanos pensam e defendem seus dogmas. É claro que isso de entrada passa a dar aos democratas uma ligeira vantagem na corrida presidencial. 

É mais ou menos assim: “eu, republicano, sou a elite deste país, posso muito bem descansar sobre a riqueza que produzi, pagando salários baixíssimos aos meus empregados, mas como tenho muito gado, inclusive gado humano, preciso “trabalhar” muito para manter meu patrimônio e repassar toda essa riqueza acumulada, à custa desse gado humano, para meus queridos filhos do coração!” 

É fato que a riqueza no mundo tem se concentrado de maneira absolutamente escandalosa nas mãos de pouquíssimas pessoas, que exploram trabalhadores em todas as partes do planeta, e ainda querem sacrificar Grécia, Portugal, Espanha, Brasil, Índia, China e outros países do mundo, sob o dogma de um lucro capitalista, que se esgota dia a dia.

Essa sanha materialista, mais que capitalista, está fazendo com que muitas dessas fortunas se tornem ruína do dia para a noite, da mesma forma em que foram construídas, isto é, na ilusão de um egoísmo sem limites de poucos sobre muitos. 

Quando as cotações das bolsas de valores de Xangai, Shenzhen, Hong Kong caem da forma que caíram esses dias e o governo chinês precisa fazer um esforço monumental para recuperá-las é sinal de quê?

Quando a taxa de desemprego na Europa alcança níveis inimagináveis, com uma quebradeira geral de países, a começar por Grécia é sinal de quê?

Quando os expatriados alcançam níveis da segunda guerra mundial e ninguém quer acolhê-los é sinal de quê? 

E o Brasil? 

Pois é! E o Brasil?

Nossa “Presidenta” se debate com o seu amado “anticristo” Lula! Nosso senador Aécio Neves se debate com seu amado “anticristo” Fernando Henrique! E pelo jeito o povo brasileiro e nossa “Presidenta” precisam também agora se debater com o novíssimo “anticristo” Eduardo Cunha, que, por estar ainda em formação, pode até ser que não decole. Mas, porém, todavia, isso depende de como esse senhor do PMDB tecerá suas teias no presente para alcançar seu glorioso futuro, tanto para si quanto para seus impolutos seguidores! 

Lula é o “anticristo” dos trabalhadores, Fernando Henrique é o “anticristo” da privatização a qualquer custo e Eduardo Cunha pode ser o “anticristo” da desestabilização do governo, oportunista como tem se mostrado, estabelecendo um messianato brasileiro em que ele poderia até ser o “Chefe” cristão, à sua maneira “anticrística” de ser!  

Não sou adepto de PT, nem de PSDB, nem de PMDB ou qualquer outro partido, mas desestabilizar um governo legitimamente eleito é golpe e isso é ilegal.

Será que os doutores da lei, aqui do Brasil, irão endossar essa ilegalidade por conta da Sra. “Presidenta” porventura vetar aumento de 80,17% ao Judiciário, já aprovado na Câmara sob a presidência “messiânica” do Sr. Eduardo Cunha? 

Não é propriamente o governo da Senhora Dilma Roussef que está em crise, é o mundo quem está em profunda transformação, é o mundo quem não suporta mais esse velho mundo que querem nos fazer engolir goela abaixo, como se essa fosse a única forma de sobrevivermos dignamente. Não é! Não é mais! Este mundo e sua humanidade não suportam mais tanto descalabro! É hora de mudar radicalmente nossa visão de mundo e não aceitarmos mais a lavagem cerebral que os donos da mídia mundial, que são a elite, quer nos impor a qualquer custo.

Chega! É hora de renovação em todos os sentidos e isso é vital para a preservação da própria espécie humana e o meio ambiente em que ela vive.

E o primeiro meio ambiente que deve ser lavado, enxugado, reformado intimamente é o que vive e vige em nossas próprias mentes e corações!

- Carlos Harfuch é idealizador do projeto "Política com Ética",  confira seu trabalho em www.politicacometica.com.br.

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