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Carlos Harfuch

Política e Economia

Universidade no Terceiro Milênio

postado em 17/05/2017 08:20:58

A universidade, desde o seu surgimento entre os séculos XII e XIII, em plena Idade Média, foi estruturada de forma que os jovens aprendessem o domínio das sete artes liberais e aquele que fosse graduando da universidade era chamado de artista. Na Itália havia a de Bolonha, na França, a de Paris e na Inglaterra, Oxford e Cambridge (Petrin, 2015).

A Universidade Estadual de Londrina (UEL) foi criada em 28 de janeiro de 1970, iniciando suas atividades com 13 cursos de graduação: História, Geografia, Letras Anglo-Portuguesas e Letras Franco-Portuguesas, Pedagogia, Ciências (1º Grau), Direito, Odontologia, Medicina, Farmácia e Bioquímica, Ciências Biomédicas, Ciências Econômicas e Administração (Breve Histórico da UEL, 2009).

Imaginemos agora, Londrina sem a UEL ao longo desses 47 anos. Mais, imaginemos o Norte do Paraná, o Sul de São Paulo, que recebem sua influência direta e o Brasil como um todo. Que o foco, porém, permaneça em Londrina: quantos historiadores, geógrafos, professores, pedagogos, advogados, dentistas, médicos, farmacêuticos, bioquímicos, biomédicos, economistas e administradores Londrina formou através da UEL ao longo desse tempo? Sem contar os outros profissionais que foram formados à medida que a UEL incorporava novos cursos e novas formações. Dá para imaginar Londrina sem essa força de incrível poder de transformação social? Ensino público de inegável qualidade que o Brasil se encanta e agradece.

Mas trevas existem e trevas detestam luz, pois luz coloca trevas a descoberto e depois as eliminam. Será esse o grande problema da UEL: ser luz que se destaca em plena treva? Não há como negar, os requisitos do personalismo egóico de certos atores do ambiente social e político não suportam a luz que a UEL emite, refletindo por todo o prisma por onde atua e influencia.

Mas a UEL, conforme tudo o que evolui, precisa rever-se diuturnamente, pois não é de hoje que a USP se diz crítica de si mesma e é na sua gênese que ela precisa rever-se, atualizar-se, atuando de acordo com o que a sociedade exige e impõe, de acordo com as mudanças pensadas em prol da manutenção da excelência. Todos querem a USP pela referência que é (Rodas, 2010). E todos também querem a UEL pela referência que é! Isso é inegociável! Mas inegociável também deve ser como ela deveria atuar no terceiro milênio, milênio que já descortina uma sociedade cada vez mais integrada e sofisticada. E se a sociedade dos dias de hoje é sofisticada e integrada na luz, é sofisticada e integrada também nas trevas. Não haveria Lava-jato sem o aparato disponível hoje, mas se há Lava-Jato, há também a sofisticação no mundo do crime, no mundo das trevas, e isso deve ser combatido incansavelmente.

O Ensino à Distância, por exemplo, foi pensado e desenvolvido no seio da universidade pública, mas quem se beneficiou foi o ensino privado. Ao se supor que se hoje a UEL, por exemplo, com sua chancela e grife, e o aparato tecnológico atualmente disponível no mundo, atuasse de forma incisiva no ensino à distância, em pouco tempo teria alunos por todo o país, quiçá de outros, cobrando taxas exequíveis, taxas não mensalidades, que financiariam não apenas o ensino à distância, mas todo o custeio da UEL, além de verbas para sua modernização e manutenção da sua eficiência, tornando-a poderosa, sobretudo quando tiver que negociar verbas de custeio, salários, contratação de pessoal, tudo isso em níveis estadual e federal.

Outro fator que poderia angariar apoio popular à UEL, seriam projetos à distância para levar ensino público de nível superior aos presídios, que deveriam ser financiados pela Secretaria de Segurança Pública, por força de Lei, pesquisas, juntamente com os órgãos competentes tanto em nível federal quanto estadual, de como se combater o crime organizado, freando o aparato militar do qual o mundo do crime se vê cada vez mais municiado, projetos de desenvolvimento tecnológico, criando aparelhos de monitoramento tanto nas áreas contaminadas por esse domínio, quanto as que não estão contaminadas.

 Aparelhos dessa natureza devem ter monitoramento via satélite, satélites esses que podem ser desenvolvidos na UEL, e aí é que reside o desafio, e a UEL poderia, sim, desenvolver esses projetos desde que utilizasse, de forma racional e proativa, recursos provenientes do ensino à distância, tanto quanto verbas nacionais e internacionais, para esse e outros projetos concernentes a uma universidade vivida e pensada para, e NO terceiro milênio.

Aparato dessa natureza, pensado e desenvolvido na UEL, ou a tendo como parceira, inibiria os criminosos, pois seus esconderijos seriam revelados e até o tráfico internacional de drogas e contrabando de armas e outras mercadorias seriam facilmente descobertos, diminuindo drasticamente o número de dependentes químicos por todo o mundo.

Outra discussão que a UEL poderia fazer é que se o Brasil crescer à ordem ridícula de 1% ao ano, não haverá infraestrutura urbana que aguente esse crescimento, portanto seria necessário pensar em desenvolver veículos aéreos, de pequeno e grande porte, e rotas exequíveis de trafego aéreo para a viabilização dessa mobilidade.

Outra coisa extremamente ultrapassada são aeronaves que necessitam de imensa quantidade de espaço para pousos e decolagens, pois já passou da hora de se desenvolver aeronaves que pousem e decolem de forma vertical.

Por essa e outras a UEL poderia trazer pesquisadores de renome nacional e internacional, viabilizando projetos, estreitado relacionamentos com suas instituições de origem e viabilizando, globalmente, projetos de interesse universal.

 Essa poderia ser uma UEL universal, ou será que Londrina prefere uma UEL que não quer sair da sua casinha regional, que apenas um sopro de políticos e governos sem visão estratégica a abale, pois governantes dessa natureza não vislumbram a ferramenta disponível para toda a sociedade, local e global?

         E a UEL, o que ela quer?

 

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