Redes Sociais

Imagem de: Carla Kühlewein

Literatura

Eta que entrave!

postado em 19/02/2013 14:31:44

A cena é cotidiana: o telefone toca e o que se espera é que alguém atenda. Mas... e se esse “alguém” for assim um tanto atrapalhado e no trajeto até o telefone tiver que enfrentar alguns entraves? Esse é o Tato, personagem central do livro infantil TRIM, lançado recentemente por Deka (Andreia Zanutto) e esta que vos escreve (Kika).

Mais divertido do que publicar um livro (tenho certeza de que muitos escritores e ilustradores concordarão) é criá-lo. Sem dúvida, Deka e eu tivemos acessos de riso enquanto imaginávamos o Tato, pobrezinho, enfrentando as dificuldades mais ridículas para conseguir executar a pífia missão de atender ao telefone.

Entre uma tentativa e outra de Tato para atender ao insistente telefone, o livro traz um pequenino “refrão”: ETA QUE TRABALHEIRA! ETA QUE ENTRAVE! ETA QUE TRISTEZA! As lamentações do atrapalhado Tato podem fazer lembrar alguns leitores de um bordão do personagem dos desenhos animados Hardy, uma hiena pessimista que contracenava com Lippy (o leão malandro), e vivia a exclamar diante das dificuldades da vida: Ó CÉUS! Ó VIDA! Ó AZAR!

Cada entrave traz consigo sua dose de humor. A de Tato torna-se cômica; primeiro pelo trocadilho entre a letra “T” e “R” com as quais propositadamente brincamos quando elaborávamos TRIM; segundo pelo ridículo da situação: como assim um rapazote cheio de energia não consegue executar uma tarefa tão simples como a de atender ao telefone?

ETA QUE TRABALHEIRA! ETA QUE ENTRAVE! ETA QUE TRISTEZA!

O atrapalhado Tato que “tenta atender ao telefone” bem poderia representar-nos na tentativa de executar atividades triviais no dia a dia como escovar o cabelo, os dentes, fazer a barba, lavar a louça, a roupa, o carro ou qualquer coisa que o valha. Afinal, quem nunca encontrou dificuldades na execução de uma tarefa cotidiana?

ETA QUE TRABALHEIRA! ETA QUE ENTRAVE! ETA QUE TRISTEZA!

Como se não bastasse o constrangimento de ter dificuldades na execução de uma tarefa tão simples, aparece a tal tia do Tato (ELA TEM SEMPRE QUE ABRIR A MATRACA) e pergunta: “DE QUEM SE TRATA, TATO?”. Na verdade a fala da tia inconveniente traz uma mensagem perversa nas entrelinhas: “Só agora você conseguiu atender a esse telefone?”. Cá entre nós, nunca ecoou em seus ouvidos uma perguntinha capciosa como a da tia de Tato apenas para lembrar você de sua morosidade em resolver esta ou aquela questão?

ETA QUE TRABALHEIRA! ETA QUE ENTRAVE! ETA QUE TRISTEZA!

Perverso mesmo é aquele toque de telefone que não para, que interrompe nossas melhores horas de sono, a calma do nosso sossego, a harmonia do nosso dia... o telefone de Tato é a representação da tecnologia que nos acompanha em cada espaço de tempo, impiedosa, que se transformou numa espécie de vilã necessária dos tempos modernos. Tato tenta desesperadamente acompanhar a tecnologia, mas não seria mais sensato se fosse o contrário? A tecnologia a serviço do homem?

ETA QUE TRABALHEIRA! ETA QUE ENTRAVE! ETA QUE TRISTEZA!

Nessa inversão de papeis, a tecnologia fala mais alto e de repente observamos uma legião de Tatos a correr freneticamente atrás dos barulhos da vida moderna, sucumbindo a eles. Não se vive mais sem o telefone, o computador, o celular, o GPS ou qualquer outra invenção que reduza distâncias e agilize a vida humana. Enfim, a humanidade tornou-se refém do “TRIM” do “CLIC” do “ENTER” do “DOWNLOAD” e Cia.

Tem horas que a trabalheira dos entraves da tal tecnologia dá uma tristeza e tanto... eita!

Para completar a saga de Tato e sua sequência de entraves, o texto do livro traz diversas palavras com o encontro consonantal “TR”, para fazer lembrar o som do próprio TRIM, que não se interrompe. Por isso, Deka e eu desafiamos você, caro leitor, a lê-lo do início ao fim sem parar e sem travar a língua! E então, aceita o desafio?

Obs.: Para comprar o livro TRIM envie e-mail para contato@leiturinhas.com.br e boas LEITURINHAS!  

« Voltar

Anteriores