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Imagem de: Carla Kühlewein

Literatura

A soma de tudo o que acontece

postado em 17/12/2012 10:01:39

“Pega ladrão!” é o que se costuma gritar ao malandro que corre em disparada com algo de valor na mão. Num passe de mágica transfira a mesma cena para o campo político e se pergunte: se alguém entoasse tal frase a altos brados o que aconteceria?

O bobalhão que furtou algo (sei lá eu de quem) deve estar correndo até hoje da polícia, só não sei se os espertalhões do Condado da Corrupção têm a mesma pressa. E você, o que acha?

Bonita palavra, a tal CORRUPÇÃO, rima com outras, tão ou mais “nobres” do que ela: “confusão”, “extorsão”, “distorção”, “regressão”, “inflação”, “mensalão”... e por aí vai a lista, interminável!

Por algum motivo essas palavras ressoam dia a dia, entoando as mais diversas rimas, produzindo um som interminável, que, de tanto ecoar, já é familiar aos ouvidos e se transforma, de repente, numa outra frase, singela, como se fosse “Lá se vai o ladrão!” e de fundo um coro levanta “O importante é que fez!”.

É nessa ópera interminável que outras vozes, brandas e suaves, entoam num suspiro dolorido “Por que nada acontece?”. A resposta pode soar mais simples do que a pergunta, mas sem dúvida faz mais sentido do que as lamúrias dessas mesmas vozes.

Uma dica de resposta à tão intrigante questionamento é oferecida pelo escritor Jonas Ribeiro, no livro E ALGO ACONTECEU NAQUELE DIA... E aí você pode estranhar e perguntar: O que, bolotas, um livro de literatura infantil poderia ajudar na resolução de um problema tão complexo?

Calma lá, que tudo se ajeita... A história desse livro começa com a façanha de Nicholas, um menino saudável que achou uma nota de cinquenta reais no pátio da escola e resolveu entregá-la à coordenadora, Sandra. 

Ao sair da sala, Nicholas mostrou-se bem alegre e satisfeito com a atitude. Ao passo que Sandra, a coordenadora, encontrou sua amiga Dulce que estava passando por um momento difícil.

SANDRA NEM PERCEBEU QUE NICHOLAS HAVIA PLANTADO UMA INVÍSEL FLOR DE ESPERANÇA EM SEU CORAÇÃO. ELA SENTIA APENAS QUE ESTAVA MUITO FELIZ. E ALGO ACONTECEU...

DULCE CONTOU A SANDRA QUE O PAI ESTAVA COM MAL DE ALZHEIMER. SANDRA OUVIU O DESABAFO DA AMIGA COM RESPEITOSO SILÊNCIO E, SEM PENSAR DUAS VEZES, ABRIU A BOLSA, RETIROU UM LIVRO E O DEU DE PRESENTE A DULCE. ERA UMA HISTÓRIA QUE FALAVA DE PACIÊNCIA E TOLERÂNCIA.

E não é que Dulce também sentiu algo diferente naquele gesto da amiga? Foi para casa e para sua surpresa, tudo estava diferente.

DULCE NEM PERCEBEU QUE A AMIGA HAVIA PLANTADO UMA INVISÍVEL FLOR DE ESPERANÇA EM SEU CORAÇÃO. ELA SENTIA APENAS QUE ESTAVA MUITO FELIZ. SUGERIU À MÃE QUE SE DEITASSE UM POUCO E DEU UM BANHO NO PAI. DEPOIS, SENTOU-SE COM ELE. ABRIU O LIVRO E COMEÇOU A LER EM VOZ ALTA. ASSIM, O PAI TAMBÉM OUVIRIA. ERA UMA HISTÓRIA INSTIGANTE, UM CAPÍTULO ESTAVA BEM AMARRADO AO OUTRO.

FICARAM ENTRETIDOS COM A LEITURA POR UM BOM TEMPO. O DIA ENTARDECEU. E ALGO ACONTECEU...

Então Dulce fez um bolo e deu um pedaço ao primo Guilherme, que o deu a um homem que pedia na rua... e assim ALGO SEMPRE ACONTECE na história de Jonas. As personagens têm atitudes positivas que estimulam outras da mesma natureza, formando uma espécie de corrente comunitária, com gestos simples e efeitos grandiosos.

É no ALGO ACONTECEU que a história se constrói, cena a cena os valores se revelam, tudo porque um certo menino, diante da possibilidade de ceder à corrupção, optou por ter um gesto simples que deixasse sua alma leve.

Não se trata de altruísmo gratuito, afinal ninguém é gentil sem ter uma recompensa em mente, ainda que ela seja a mera sensação de dever cumprido, trata-se de ter uma atitude, fazer, agir, empreender algo positivamente e pronto.

Nicholas não tinha ideia do que sua simples ação poderia provocar, mesmo assim executou, ainda que sua atitude tenha partido de um estímulo bem individual (sentir-se bem), ela trouxe um benefício coletivo tão logo a boa intenção foi reproduzida. Mal sabia ele que o bem que ele fizera poderia lhe retornar de algum modo. Quer saber como? Leia o livro e confira os emocionantes efeitos que um gesto singelo pode provocar.

O pequeno Nicholas aponta para a importância do diminutivo, pois uma “atitudezinha” pode modificar os rumos de uma empresa, ao passo que uma confusãozinha, um aumentozinho, uma mentirazinha, pode virar um problemão e fazer perder uma nação inteira, acostumada aos mais ruidosos sons em “ÃOS” que um ouvido poderia suportar.

Assim, enquanto as vozes tímidas continuam perguntando por que nada acontece, surgem outras, bem mais potentes, cantando o hino da liberdade, que começa nas pequeninas atitudes, continua com algo acontecendo e termina... bem, não se sabe bem ao certo como termina, mas que a melodia é envolvente, isso não há de se negar!

Enfim, a soma de tudo o que acontece depende dos elementos que a compõem. Resta saber se os cálculos da operação serão positivos ou não, mesmo que rimem com mensalão.

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