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Imagem de: Carla Kühlewein

Literatura

A diversidade faz a diferença

postado em 24/02/2016 14:21:25

O assunto DIVERSIDADE está no auge, volta e meia faz parte das pautas da ONU, de assembleias ou mesmo congressos acadêmicos dentro e fora do Brasil. Seja como for, essa tendência parece ter chegado pra ficar, uma vez que o discurso das minorias sociais tem imperado no modo neoliberal de vida ao qual estamos sujeitos. Concordando ou não, tocar nesse assunto é quase uma regra. Por isso, ausentar-se ou abster-se de se manifestar a respeito é quase um ultraje! A rigor, é preciso levar em consideração a (di) versidade ainda que isso se reduza, na maioria das vezes, ao plano do discurso.

Nessa linha temática, diversos escritores, em especial os da Literatura Infantil, têm se empenhado na busca pela elaboração de textos que abarquem essa questão, sempre, é claro, de forma lúdica e alusiva. É o caso da obra de Lucia Reis, autora e ilustradora de livros que abordam o tema de maneira divertida, sem apelo moralizante. Uma de suas obras, “A zebrinha preocupada” é um exemplo disso.

Na literatura infantil é comum os animais compartilharem das mazelas da humanidade, afinal até os animais podem ter lá seus incômodos. Nesse livro de Lúcia, há uma zebrinha com um motivo bem justificável com o fato de ser diferente, ela seria feliz...

SE NÃO FOSSE POR UM PEQUENO DETALHE, A ZEBRINHA NÃO TERIA NENHUM PROBLEMA: SUAS LISTRAS ERAM DEITADAS.

Ora, toda zebra que se preze tem as listras na vertical, como a grade da cadeia, da rua de casa, do edifício. Pobre zebrinha... esse pequeno “detalhe” não seria um problema se ela assim não o considerasse, certo?, No mundo dos humanos convencionou-se chamar isso de bullying (termo inglês que se refere à prática ofensiva repetitiva de alguns “valentões” para com outro, nem tão valentão assim), ou seja, a depreciação contínua de alguém em relação a uma diferença, normalmente física.

Mas voltando à história da Lúcia, por causa dessa diferença, a Zebrinha Preocupada ouve todos os dias: LÁ VAI A ZEBRA DE LISTRAS DEITADAS. Imagine qual não é o sofrimento da zebrinha ao ser ridicularizada constantemente pela sua aparência. Até que um dia ela encontra uma girafa, que tinha o mesmo problema... as pintas dela eram quadradas. Já imaginou?

Papo vai, papo vem e as duas, girafa e zebra, chegam a uma conclusão:

EM PÉ OU DEITADA, A POSIÇÃO DA LISTRA NÃO É O QUE REALMENTE INTERESSA!

Mas o que realmente interessa, dona Zebrinha? Isso ela não revela, mas podemos supor que seja algo bem parecido com aquela frase piegas: O que importa é a essência da pessoa e não a aparência... Será mesmo?

Numa sociedade aficionada pela perfeição, que considera a velhice uma doença, a vida uma eterna juventude e a cirurgia plástica a descoberta do século é difícil supor que essa frase ainda convença alguém. De uma forma ou de outra estamos fadados ao famigerado Padrão de Beleza. Padrão é aquela convenção esquisita que ninguém sabe explicar como nem porque, mas todo mundo repete e segue, sem questionar. Algumas almas até tentam, mas estão longe de exercer influência significativa.

Recentemente a produtora da Barbie anunciou o lançamento de modelos variados da boneca mais Bündchen que o mundo já teve (vale lembrar que a modelo brasileira era chamada de “girafa” na escola). Tem pra vários gostos: baixinha, morena, ruiva, “cheinha” e outras variantes. A louvável iniciativa da empresa deixou muitas mulheres e meninas animadas e uma legião delas descontente. Não poderia ser diferente, para quem estava acostumado a cultivar suas listras verticais como um prêmio, isso é, sem dúvida, um desaforo!

Pela lógica o diferente é aquilo que se destaca de um padrão. Assim a diversidade só existe porque há um modelo, um padrão, uma norma do qual se distancia. Ou seja, padrão e diversidade coexistem, andam juntos como unha e carne. São indissociáveis!

Dante disso resta a mim e a você, caro leitor, decidir qual postura tomar frente ao que é diverso. Ainda que o discurso inflamado dos projetos governamentais repita a importância de se respeitar a diferença, ela continua sendo uma questão bem pessoal. No fim das contas, tudo depende da perspectiva que se adota diante da DIVERSIDADE: aceitá-la como potencial diferença ou um incômodo. Afinal, quem decide se sua listra está na direção errada (ou não) é você mesmo, certo?

Boas LEITURINHAS!

 

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